Thayna Santos e João Victor Silva
Você já reparou como as pessoas lidam de forma diferente com dinheiro, investimentos e dívidas? Isso não acontece por acaso: nossas escolhas financeiras estão profundamente ligadas ao contexto de vida e ao momento social e cultural em que vivemos.
Por exemplo, para muitos da geração Boomer, segurança financeira significa ter terrenos e imóveis. Já a geração Z tende a se preocupar menos com a aquisição dessas propriedades. Quando uma geração observa o comportamento da outra, é comum surgir estranhamento, às vezes até a sensação de “isso é loucura!”.
Isso acontece porque decisões sobre investimentos estão muito mais conectadas às experiências coletivas da geração do que apenas aos objetivos individuais.
Morgan Housel, no livro A Psicologia Financeira, resume bem essa ideia:
"Toda decisão financeira que uma pessoa toma é fruto da informação que ela tem à disposição no momento, associada ao seu modelo mental único sobre a forma como o mundo funciona."
Para Hartmut Rosa, a perspectiva de que a tensão entre um mundo cada vez mais acelerado e o desejo por experiências com significado mostra que decisões financeiras refletem a busca por conexões fazem sentido para a pessoa. Ou seja, aquisição que envolve planejamento, como o consórcio, deixam de ser apenas soluções econômicas e passam a representar um compromisso consciente com objetivos pessoais, funcionando como um contraponto saudável à gratificação imediata típica da nossa cultura acelerada.
Já Twenge mostra que essa divergência não é apenas econômica, mas também geracional. Cada geração desenvolve modelos mentais próprios sobre tempo, recompensa e risco. Essas diferenças psicológicas e culturais influenciam ativamente na forma de perceber o valor do planejamento financeiro. Reforçando que escolhas como aderir a um consórcio dialogam tanto com a visão de futuro de cada geração quanto com seus significados simbólicos.
Compreender esse processo é poderoso. Ele ajuda não só a entender as escolhas financeiras dos outros, mas também as suas próprias. E, a partir desse entendimento, fica mais fácil ajustar estratégias e mudar comportamentos, afinal, saber por que você age de determinada forma é o primeiro passo para evoluir.
Então, como anda o seu comportamento financeiro? Será que é hora de repensar suas estratégias ou seguir firme no que já está funcionando?
Que essa reflexão seja um bom ponto de partida para o seu 2026! 🚀
Referências
HOUSEL, Morgan. A Psicologia Financeira: Lições Atemporais sobre Riqueza, Ganância e Felicidade. HarperCollins Brasil, 2021.
ROSA, Hartmut. The Uncontrollability of the World. Cambridge: Polity Press, 2020.
TWENGE, Jean M. Generations: The Real Differences Between Gen Z, Millennials, Gen X, Boomers, and Silents — and What They Mean for America’s Future. New York: Atria Books, 2023.