Psicologia e finanças: o que uma tem a ver com a outra?

Thayna Santos

À primeira vista, psicologia e economia podem parecer mundos completamente diferentes. De um lado, o estudo do comportamento e das emoções humanas e do outro lado números, cálculos e modelos racionais. Mas será que é realmente assim?

Na verdade, não. Talvez você já tenha ouvida falar ( ou até lido) o livro Rápido e Devagar: duas formas de pensar, de Daniel Kahneman. Psicólogo de formação, Kahneman ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2002, junto a Vernon Smith, por seus estudos sobre como tomamos decisões em condições de incertezas.

E porque isso foi tão importante? 🤔

Porque os estudos de Kahneman mostraram algo essencial: nossas decisões financeiras não são totalmente objetivas. Muitas vezes, nossas escolhas são guiadas por atalhos mentais e por vieses cognitivos que distorcem a forma como percebemos ganhos e perdas.

Um exemplo clássico aparece no artigo The psychology of preferences (Kahneman & Tversky, 1984). Imagine duas situações (adaptadas do artigo):

  • Você vai ao cinema, compra o ingresso que é 40 reais, mas ao chegar percebe que deu o ingresso

  • Você vai ao cinema, ainda não comprou o ingresso, mas ao chegar percebe que perdeu 40 reais que estava na carteira

Curiosamente, no primeiro cenário a maioria das pessoas não compra outro ingresso, mas no segundo elas compram. O curioso é que, matematicamente, a perde é a mesma: 40 reais. O que muda, nesse caso, é forma como percebemos a perda e como nossa mente lida com ela.

Esse tipo de descoberta ajudou a consolidar um campo hoje conhecido como psicologia econômica ou finanças comportamentais. E nos mostra algo importante: ao lidar com dinheiro, não somos apenas racionais, somos humanos e nossas emoções estão sempre presentes.

O que isso significa na prática?

Entender esses mecanismos pode nos ajudar a desenvolver uma relação mais saudável com o dinheiro. Se sabemos que que tendemos a sentir as perdas mais fortemente do que os ganhos (aversão a perda), podemos criar estratégias para evitar decisões impulsivas em momentos de emoção.

Que tal começar a pensar na maneira como lida com o dinheiro?

Comece observando como você reage a pequenas perdas e ganhos no seu cotidiano. Perdes um desconto de 10 reais pesa mais do que ganhar 10 reais extras? Essa reflexão simples pode ser o primeiro passo para melhorar sua relação com o dinheiro, trazendo mais consciência e equilíbrio às suas escolhas financeiras.

👉 E se você ainda não conhece o livro Rápido e Devagar, quem sabe na próxima a gente não fala um pouco mais sobre ele?

Referências

Kahneman , D. & Tversky, A (1984). Choices, values and frames. Amarican Psychologist, 39(4),341-350

Kahneman , D. & Tversky, A (1982). The Psychology of Preferences. Scientific American, 160-173

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